sábado, agosto 13

A pior de todas as drogas!

Lembro que comecei com coisas mais leves, que apesar do poder de seus efeitos passavam rapidamente sem nenhum grande dano, paixonites que duravam alguns dias, e que me deixavam leve. Por muitos anos consegui me manter assim... Mas meu corpo pedia mais, aquelas paixões não me satisfaziam mais, Ainda lembro o dia, a hora exata em que tive contato com a droga mais forte que já provei, no começo pensei que não era tão diferente da paixão e dizia pra mim mesmo, nunca me viciarei nisso, já haviam passado alguns meses e eu não via nenhuma diferença, apenas um pequeno incomodo porque essa droga me impelia a usar drogas "complementares" então consumia muitas doses de baladas românticas ( blues ), e a noite só dormia depois de uma bela garrafa de vinho.
Depois de um ano de uso já me sentia diferente, e já me drogava todas os dias, não conseguia dormir sem consumi-la, sem ela ao meu lado, sem sentir sua doçura, o imenso prazer que ela me proporcionava, e eu estava feliz muito feliz.
Eu nunca pensei em deixar de consumi-la, mas lembro bem aquela tarde que quiseram tira-la de mim, assim do nada num impulso abrupto, e já nos primeiros minutos sem ela perdi o ar, o chão, a razão... fingi não senti tanta falta, não queria que meus amigos soubessem que eu era viciado, e como eu era... Deus como eu era... Sai pelas ruas perdido, só pensava em sentir aquela sensação de novo eu queria mais, eu precisava de mais. Lembro que vaguei por ai por horas e decidi implorar por um pouco, uma dose que fosse, uma migalha, mas quem poderia me dar um pouco daquela droga, só tinha pra mim pena e desprezo, duas drogas que eu nunca tinha consumido e que só aumentaria minha dor e meu desespero. E corri, chorei, pensei se eu tomasse muito vinho e ouvisse mais músicas talvez pudesse, senti algo parecido, então bebida, baladas, cigarros, lágrimas, noitadas, saudade, dor, mais lágrimas, saudade, saudade, saudade...
Já haviam passado alguns dias e eu não me reconhecia mais no espelho, estava magro, com a barba por fazer, meu olhos só miravam o horizonte, perdido,... eu não era mais eu.

CONTINUA...

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