Crônicas by João Paulo Arnaud. PARTE 2
Lembro de ter acordado estranho aquele dia, uma mistura de sentimentos me confundiam, mas não sabia bem o que sentia... levantei cumpri minha rotina matutina, a casa estava limpa, cozinha arrumada, tudo nos seus devidos lugares, tudo tão fake, eu estava sozinho, Linda tinha viajado na noite anterior, sozinho no meu mundo de plástico... Na noite passada percebi que Linda havia notado em mim uma frieza disfarçada nossas noites de amor não eram mais as mesmas, pensei que estava velho demais pra aquele amor de chamas quentes e pouco carvão, pensei que talvez eu fosse o problema, mas não queria mudar minha vida nem aceitar que cometi um erro, como uma criança mimada que enjoa facilmente de seus brinquedos, também não queria magoar mais ninguém.
Quando cheguei na casa de campo queria parecer disperso e evasivo queria aparentar a velha e habitual falsa alegria, mas foi só ver a imagem de minhas meninas e a mãe sentadas a mesa rindo e falando alto que meus pensamentos viajaram em velocidade máxima para o passado. Nem me lembrava mais o quanto ouvir o sorriso delas me fazia bem. Fiquei para admirando aquela imagens queria só esta ali, queria pedir desculpa por ter estado tão distante quando elas precisaram de mim, desejei não ser aquele que sempre será lembrado por um adeus, pela ausência, por não ser quem deveria. Cris soube criar as meninas muito bem elas eram lindas e educadas e definitivamente sabiam perdoar.
___ Ta fazendo o que ai parado pai? Entra!
___ Hum!? Nada! nossa a casa continua a mesma! Respondi confuso!
___ E você continua o mesmo, atrasado como sempre, estamos morrendo de fome. Falou Cris colocando o Bolo de laranja na mesa.
Nossa aquele cheiro de bolo de laranja de manhã cedo... Lembrei de nosso primeiro ano juntos, Tanta coisa nova pra vivar, tantos planos, amor, sexo, bolo de laranja, bolo de laranja tem cheiro de amor definitivamente.
___ Desculpe, desculpe, tive que resolver algumas coisas.
___ Então vem pai senta com a gente.
Por horas conversamos, rimos relembramos coisas... por vezes me perdi profundamente perdido em pensamentos de saudades, em noites de frio todos juntos na mesma cama, de quando colocava as meninas pra dormir, de tomar vinho e jantar no jardim, de tudo que tinha e perdi, de tudo que tinha e não dei valor, de tudo que troquei por uma vaga esperança de felicidades momentâneas.
Eu estava tão feliz e ao mesmo tempo me sentia tão mal por saber que aquele não era mais meu mundo, eu nunca mais viveria aquilo, teria que me contentar com esses poucos momentos e com a ideia de que a mulher que mais amei me via com um hospede indesejado, um alguém pra suporta pelo bem de uma familia que a tempos não existe mais...
Continua!
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