segunda-feira, janeiro 2

Aos meus amigos Sandinho e Yuri Alves.



A poucos dias a vó amada de um amigo faleceu, dias depois a mãe querida de um outro amigo também faleceu, e eu me pego pensando em tudo isso, em como somos pequenos, impotentes, e despreparados para enfrentar a morte. Todos sabemos que ela é inevitável, que todos passaremos por isso,mas como se acostuma a dizer adeus a quem se ama tanto, como passar os últimos minutos do lado desse alguém implorando para que ela pudesse te ouvir, só pra você dizer te amo pela última vez, ou pela primeira. Como simplesmente virar as costas para sempre para uma pessoa que sempre esteve do seu lado, e te trazia tanta paz, esquecer o sorriso, o timbre da voz, as conversas longas... Ter que voltar pra casa e viver a vida enquanto todos te pedem pra ser forte, quando é você quem tem que ver as fotos na parede de um sorriso que já nem existe mais, ter que sentar sozinho na mesa e olhar para a cadeira vazia, onde ela costumava sentar tão feliz, nunca mais ouvir a voz dela no celular, preocupada, chateada, dizendo que te amava,te dando uma bronca, queria ouvir mil broncas dela novamente, queria dizer-la que a ama muito, não... queria só abraça-la forte, e ela saberia que é amor.
Nunca entenderei essa dor, tenho medo da despedida. Não conseguiria me limitar a viver poucas horas antes de dizer adeus, Precisaria mais que nunca dos meus amigos, Para ter a quem dizer que não consigo, para ouvir que tudo iria ficar bem, para fingir que acredito e tentar viver essa mentira, para fechar os olhos e abraçar forte, pra esquecer um pouco da morte, para depois gritar, com toda minha força, extravasar,colocar pra fora o que não conseguiria carregar por nem um minuto. 
Tenho tanto medo de pensar nisso que em nenhuma das ocasiões fui ao funeral e enterro. Por que não saberia o que dizer, nem poderia, talvez um abraço, me sentiria inerte, fraco e incapaz de encontrar palavras    para de alguma forma diminuir a dor desses amigos. Tento me colocar no lugar deles, só pra me permitir sentir um pouco essa dor, assim me sinto menos ausente, menos impotente... Mas é preciso dizer que isso passa, essa dor passa, é óbvio, depois vem a saudade, depois a lembrança boa, o sorriso volta aos poucos, e depois já da até pra falar de forma carinhosa e saudosa, Pode parecer infantil mas é mesmo bom lembra-las como uma estrela, nos olhando de um lugar distante, nos guiando até o fim de nossas vidas.



                                                                                                      Com carinho; João paulo.

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