terça-feira, agosto 16

Já eram aproximadamente três da madrugada, tudo girava ao meu redor, e eu só pensava onde gostaria de estar naquele momento, quase senti a mão dela na minha e aquela sensação inebriante de que nada, nada poderia dar errado, fechei os olhos com força, buscando fundo da minha mente a melhor lembrança... É ela não olhe agora... ouvi novamente... Meu coração disparou naquele momento... eu precisava falar com ela... senti o cheiro da droga no ar... era amor.. pensei que naquele momento meu sofrimento acabaria, falaria com ela, pediria por favor por um pouco mais e tudo ficaria bem... sera que ela podia ver meu desespero, não posso parecer desesperado, enxuguei as lagrimas reuni minha poucas força, pensei nas melhores palavras... e virei...
Por alguns segundos demorei a visualiza-la, mas o que vi no segundo seguinte fez meu mundo cai completamente... que dor era aquela, que jamais havera sentido... o copo que estava em minha mão caiu lentamente, tudo ao meu redor estava em câmera lenta. Ela sorria e luzes saim de seu sorriso, uma fonte inesgotável da mais doce e destrutiva de todas as drogas... Tinha alguém a seu lado e segurava aquela mão que tanto tocou meu lábios... Quem era ele? Quem queria roubar aquilo de mais importante pra mim?... E por um instante o olhar dela mirou o meu, um instante só... segundos que pareceram uma eternidade. Mas não havia mais nada naquele olhar, nem amor, nem paixão, nem pena... nada... Só o cinismo de quem jurou viver um sonho pra sempre.
Não consegui ver mais nada naquela noite... meu olhar não saia daqueles dois sentados em uma mesa em um canto escuro daquele bar... como costuma ser comigo... não sabia quantas garrafas de vinho já tinha tomado, estava completamente tonto, embriagado de tristeza, dor e vinho, esperando pelo golpe final.
Não demorou muito e eu os vi se beijarem, lembro que sai correndo, deixando um rastro de sonhos que queria ter vivido, de dias de chuvas que queria ter passado com ela... era o fim... era meu fim.
Pensei que não queria mais viver, viver sem ela, sem um pouco daquela droga era como viver em um sonho ruim do qual agente pedi pra acordar. continuei correndo pra qualquer lugar pela madrugada fria ate que cai sem forças, nunca mais quis me levantar... dizem que morri... e eu digo que naquela noite tudo quem um dia eu fui ficou naquele bar sentado olhando o amor que jamais sentiria novamente. Apessoa que levantou daquele chão frio no dia seguinte não era mais eu era apenas um corpo vazio, seco, sem nenhum sentimento, sem nada pra dar ou receber, nunca mais senti vontade de me drogar novamente, nunca senti vontade novamente porque soube pra onde leva a essa droga. E agora vago sem coração vivendo de restos de sonhos e de lembranças.




Fim.

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